Tudo começou quando vim para Santo Ângelo trabalhar em um projeto, cujo não me recordo o nome, quando cheguei aqui o primeiro lugar que eu e meus colegas fomos visitar foi um ponto turístico da cidade, a catedral Angelopolitana. Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Era uma tarde de domingo, linda e nublada, no outono. Algumas folhas caiam ao chão e voavam para longe com o vento. Eu e meus amigos estávamos caminhando na praça, algumas pessoas estavam sentadas em cadeiras de plásticos tomando chimarrão, uma mistura de água quente e erva , uma bebida típica do estado , outras namoravam em seus bancos, já as crianças, corriam em direção aos brinquedos, que ficava na lateral do parque. Eu observava tudo, continuamos caminhando, a cidade era intermediária, nem grande, nem pequena. Mas tinha belas histórias , assim como as cidades vizinhas, pelo fato de serem aldeamentos indígenas fundadas por espanhóis no continente, eram sete cidades, então chamadas de sete povos, bom isso não vem ao caso agora, voltando ao assunto... Continuamos a passear, do outro lado da rua então, avistei uma escola, ocupava quase uma quadra inteira, tinha uma construção antiga e nomeava-se Onofre Pires. Então contornamos a praça, e agora no outro lado da faixa de segurança o que me chamava à atenção era um museu, pequeno e amarelo. E então chegamos ao centro da praça, existia algo que me chamava atenção, era uma grade, e ela contornava todo um laguinho central, fomos até lá. Então logo vi que dentro da água existiam peixes, tartarugas e alguns jacarés, isso mesmo, jacarés. Vi crianças dando goma de mascar para os animais e até ri disso. Lembro-me que era um dia comemorativo na cidade, então, vi que uma meia dúzia de pessoas abriram o portãozinho que ficava na grade do laguinho e entraram. Perguntei o que se tratava a uma mulher ao lado ela respondeu que aquele pessoal eram autoridades locais e que entraram ali para hastear a bandeira e entoarem o hino. Eles entraram, e pisaram em um chão de concreto que cortava todo o centro do lago. Então as pessoas se levantaram de suas respectivas cadeiras e se posicionarão em posição de sentido. Depois de entoarmos os hinos, um homem gritou a um vereador da cidade que estava dentro do cercado“tomara que os jacarés o comam” todos riram, mas é claro que não passava de um amigo fazendo piadinha a outro. Então saímos do local e terminamos de contornar a praça, depois disso fomos embora. Mas isso já aconteceu a um bom tempo atrás. Hoje eu estou no meu escritório a lembrar desse tempo. De lá pra cá muita coisa mudou.
Hoje a praça
central está modificada, não existem mais peixes, tartarugas nem muito menos
jacarés. Recentemente fiz uma pesquisa para saber onde foram parar os animais
que habitavam nossa praça, e descobri que estão em uma cidade a 200 km daqui.
Bom, ainda existem os laguinhos e os chafarizes, construíram uma ponte que o
pessoal pode transitar de um lado para outro, mas nada de animais. Sinto
saudade, há pouco tempo atrás fiz uma reportagem sobre o assunto que não foi
publicado. Hoje sou coordenador de
educação na cidade, trabalho com vários projetos, e trabalho também com a
educação da escola que avistei quando cheguei aqui na cidade, parece uma coisa
muito simples, mas para mim é muito importante. Essa escola encontra-se no
coração da cidade, atualmente ela tem 90 anos, uma construção antiga e com
muita história, Bom, de certa forma tudo isso fez parte de minha vida, e de
minha chegada a essa cidade, foi meu primeiro contato com a cultura daqui.
Hoje, recebi uma noticia que aqueles animais estão em um zoológico em Santa
Maria, animais que fizeram parte da diversão e do entretenimento do povo
missioneiro, hoje nem sei se vivo mais estão , se eles falassem, tenho certeza
que seriam bons contadores e história.
História baseada em uma entrevista com Adelino Jacó Seibet Coordenador de Educação.
Por: Alana Karoline
História baseada em uma entrevista com Adelino Jacó Seibet Coordenador de Educação.
Por: Alana Karoline
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