Naquele tarde seu João estava sentado em uma cadeira de
balanço embaixo de um pé de pitanga, como toda a tarde fazia. Ele estava a
lembrar do quanto tinha batalhado na vida, o quanto tinha sofrido, o quanto
tinha vivido intensamente, a nostalgia estava tomando conta de todo o terreno,
e ele se perguntava todo santo dia a mesma coisa “Será que valeu a pena?”. Eu
sabia que ele tinha depositado toda a sua confiança e cada dinheiro que ganhava
com seus filhos, deu tudo o que pode, deu amor, carinho, atenção, fez seus planos,
primeiramente pensando em sua família , deixou de viver sua vida muitas vezes
para viver a de quem o cercava e de quem ele mais amava, deixou de viver. Agora
não me pergunte o que o seu João beirando seus 80 anos fazia ali sentado numa
cadeira embaixo de um pé de pitangas, não me pergunte o porquê de tanta compaixão
de seus familiares por ele, o porquê de tanto desprezo a quem dedicou metade de
sua vida pelo simples fato de ver os filhos crescerem saudáveis, formados, com
empregos e famílias construídas, e sinceramente acho que depois disso ele
jamais imaginou que seriam largado ali, numa casa, cheio de velhinhos tristes e
desprezado, cheio de vidas abandonadas, corações com rancor, talvez, ou com um
sorriso no rosto tentando disfarçar a dor que fere o peito e sangra sem pudor.
Ele jamais imaginou que a velhice seria motivo para abandono e desprezo,
jamais, mas ele se lembrou dos bons momentos e sorriu pensando, “esse não foi
um dia muito bom, mas amanha eles irão vir me visitar eu sei.” Fechou os olhos
cheios de esperança, e num ultimo embalo da cadeira de balanço dormiu, mas
desta vez não foi só um cochilo da tarde, e sim da eternidade.
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